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Ferramenta de sustentabilidade

Workshop do ACV-m em São Paulo explica sobre o projeto para os fabricantes paulistas

Reportagem: Revista Prisma nº 49


Os fabricantes de blocos de concreto brasileiros integrantes da Associação Brasileira da Indústria de Blocos de Concreto (BlocoBrasil) estão comprometidos com um projeto pioneiro que permitirá às indústrias aferirem seus índices de eficiência nos processos produtivos, visando à avaliação de parâmetros essenciais sobre a sustentabilidade na fabricação. O projeto, denominado Avaliação de Ciclo de Vida Modular (ACV-m) de blocos e pavimentos intertravados de concreto teve início neste primeiro trimestre de 2013, está sendo desenvolvido pelo Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), e é apoiado pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e BlocoBrasil.


 

A finalidade do projeto ACV-m é a de coletar dados e quantificar indicadores de produção que auxiliem as empresas a avaliar e gerenciar seus processos, contribuindo com a sustentabilidade no setor da construção civil. Aplicado à indústria de materiais de construção – no caso, aos fabricantes de blocos e pisos de intertravados de concreto –, permitirá às participantes controlarem e intervir no processo produtivo com critérios de  ustentabilidade. De acordo com a arquiteta Érica Ferraz de Campos, do CBCS, “quantificar o impacto das atividades humanas é o primeiro passo para fundamentar decisões e gerenciá-las corretamente” . Para isso, diz ela, o primeiro módulo do projeto ACV-m consiste em levantar os cinco aspectos ambientais mais relevantes e comumente identificados em processos industriais, nos seguintes itens: água, energia, principais matérias-primas, geração de resíduos e emissão de CO2. A equipe do CBCS envolvida com este projeto é composta pelos seguintes profissionais: prof. Vanderley M. John (Poli-USP), coordenador; Érica Ferraz de Campos (CBCS), Katia R. G. Punhagui (CBCS), prof. Sérgio A. Pacca (EACH-USP), Lidiane S. Oliveira (Poli-USP) e prof. Sérgio Ângulo (Poli-USP). De acordo com o engenheiro Cláudio Oliveira Silva, gerente de Projetos da ABCP, a ACV-m é uma versão em escopo reduzido da avaliação de ciclo de vida tradicional, metodologia bastante difundida no mapeamento de processos produtivos e que visa a identificar aspectos críticos, desde a aquisição da matéria - prima até a disposição final do produto. A ACV-m garante o alcance da avaliação e permite aos fabricantes iniciarem a prática de levantar internamente os dados da fabricação, analisar o processo e divulgar seus resultados. “Esta é a primeira etapa de uma ACV completa e que, por isso, é modular, tornando a avaliação mais acessível, com prazos e custos reduzidos, permitindo assim a participação de número maior de indústrias e garantindo a sua realização numa escala ainda não realizada no Brasil com fabricantes de produtos para a construção civil” , afirma Silva.
 


 

Nesta primeira fase, 43 fabricantes de blocos e pisos intertravados de concreto de diversos estados do Brasil estão participando da iniciativa conjunta do CBCS, BlocoBrasil e ABCP. A ACV-m de blocos e pisos intertravados de concreto é composta por três etapas – com término previsto para o final de 2013 –, que serão desenvolvidas também com o apoio da divisão ambiental do Senai-RJ, cujos profissionais farão as auditorias nas empresas. Os dados individuais serão disponibilizados apenas a cada fabricante isoladamente e os dados gerais servirão como parâmetro para que cada indústria verifique seus índices em relação aos valores mínimos, médios e máximos em prática no mercado. “Os fabricantes de blocos e pisos intertravados de concreto que obtiverem os melhores resultados poderão divulgá-los, servindo também como importante peça de marketing” , avalia Silva.

Diferente de outras iniciativas de implantação de ACV na indústria da construção civil, nas quais os indicadores são baseados em dados de

literatura e tomados como referência média do setor, a metodologia desenvolvida pelo CBCS visa a que cada fábrica participante seja treinada

para medir seus próprios indicadores e busca identificar diferenças entre tecnologias e fabricantes. E, também, o potencial de redução de impactos que podem ser obtidos pela seleção de fornecedores com critérios de sustentabilidade. Contribui, assim, para que os indicadores de ACV promovam o interesse por melhores práticas de produção e resultem em ganho ambiental.
 


 

Além disto, essa metodologia permite comparar setores concorrentes de forma justa, em vez de utilizar indicadores médios, que não refletem a realidade do mercado. “Essa iniciativa permitirá que as indústrias de blocos e pisos intertravados de concreto desenvolvam ferramentas de gestão e sustentabilidade, cada vez mais exigidas pelos maiores contratantes do mercado imobiliário e de obras públicas e privadas. Este é um projeto pioneiro e que dará um diferencial importante ao nosso setor no mercado” , prevê Marcelo Kaiuca, presidente da BlocoBrasil.

O projeto está na sua Etapa 2, que prevê a realização de workshops com os fabricantes que o integram, já realizou reuniões com fabricantes de São Paulo (5/7 e 30/9), Rio de Janeiro (2/8) e em Florianópolis (9/8), das quais participaram representantes das indústrias desses estados. Nesses workshops, o projeto é explicado em detalhes e os representantes das indústrias são capacitados para o fornecimento de dados, que vão embasar as análises individuais, regionais e nacionais do setor. As próximas etapas incluem a resposta dos fabricantes a um questionário, seguida pela auditoria das informações pelos profissionais do Senai-RJ e, posteriormente, a tabulação das informações, que deve ser concluída em dezembro deste ano. Após essa etapa, os fabricantes de blocos e pisos intertravados terão acesso aos dados relativos às suas empresas, individualmente, e serão divulgados para o mercado, no início de 2014, apenas os dados gerais – nacionais e regionais – do setor.